Fim da Dieta
Como quem foge do spa, volto para me empapuçar de palavras.
Meu pai se foi. Foi ele quem me ensinou dois dos fatores essenciais da comida. O primeiro, que ela é um bem valioso. Quem foi criança nos anos 80 certamente aprendeu a não deixar um grão sobrando no prato. Porque as crianças da Etiópia ou do Nordeste, que apareciam frequentemente nos noticiários, não tinham o luxo de uma refeição. Os traumas que essa "obrigação" nos causaram deixo para outro texto. O segundo é o fator congregante. Meu pai era o churrasqueiro da família. Era em torno dele que nos reuníamos nos fins de semana para brigar. Era também o churrasqueiro da turma do clube (triste da turma que não tem um churrasqueiro). Cheguei a ver meu pai assar para mais de 100 pessoas. Muitas delas penetras, que o velho nunca se negou a alimentar. Só mais tarde tive contato com o fator cultural do alimento. E que descoberta é a possibilidade de viajar para o outro lado do mundo em um prato. Estudar história, sociologia, economia a partir de uma garfada (ou mãozada, ou hashizada).
Mais recentemente, descobri a alimentação como forma de filosofia. Dos artigos da finada revista Lucky Peach, criada pelo chef David Chang, passando pelas inspiradoras análises de Anthony Bourdain em seus programas de TV e, finalmente, chegando a maior inspiração de todos esses: Jim Harrison, poeta, novelista, gourmet e um magnífico escritor da gastronomia. No futuro, espero que não tão distante, vou unir as duas pontas - do meu pai a Harrison - em um livro. Colocando isso em um post, para que fique marcado e vire uma auto-cobrança. Enquanto não acontece, volto para cá, tentando retomar a escrita sobre comida. Meu pai se foi. Mas a fome que ele me deixou não.
1 prato, 1 restaurante
Tempurá de Milho, no Yorimichi, São Paulo.
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@tasteatlas Esqueça os rankings bobos que eles fazem. Concentrem-se no ótimo catálogo de comidas do mundo que eles apresentam. Um ótima fonte de conhecimento gastronômico.





que bom q essa dieta acabou. já era hora de pôr prato na mesa. Sigamos!